Artigo · Martinus
A Imagem Eterna do Universo
O maior preceito religioso do mundo
Por Martinus
Por que estudar as análises cósmicas do universo, que para algumas pessoas podem ser difíceis de compreender? O caminho do ser humano em direção a Deus tem sido mostrado através das religiões e dos redentores do mundo. E por acaso existe um caminho melhor e mais perfeito em direção a Deus, ou uma criação cultural mais autêntica, do que aquilo que Jesus já nos deu no Sermão da Montanha e em outros mandamentos sagrados? Pode, por acaso, ser dada uma indicação melhor do caminho que conduz à luz do que esta: “Ame a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”?
A resposta correta é que é totalmente impossível mostrar um caminho que conduza a Deus, à luz ou a uma criação cultural perfeita, que em suas normas não tenha, antes de tudo, esse preceito divino e inquebrantável como autêntico fundamento da vida.
As análises cósmicas e os símbolos sobre a estrutura da vida não foram manifestados para distanciar os seres humanos dos preceitos divinos de Jesus, nem para afastá-los dos mandamentos ou instruções — mais ou menos sagrados — das grandes religiões em relação à moral e à conduta. Pelo contrário, foram manifestados para mostrar que o essencial desses supremos resultados cósmicos, ou dogmas, revelados através dos representantes das grandes religiões, é totalmente verdadeiro.
A situação do mundo e o anunciado “dia do juízo final”
A própria situação atual do mundo mostra que tal manifestação é necessária. Essa situação é tal que nos vemos obrigados a falar dela como esse estado de juízo final ou cataclismo que, segundo Jesus, deve vir aos seres humanos nos “últimos tempos”. Não diz precisamente o relato bíblico sobre o futuro que “o diabo se enfurecerá com todo o seu poder”? E o que foi que vimos sob a forma de duas guerras mundiais que causaram estragos na humanidade?
Não vimos tentativas de destruir cidades imensas com seus habitantes e suas riquezas culturais? Não foram tentativas de aniquilar toda a raça humana? Não vimos como milhões de seres humanos foram assassinados, não somente em campos de batalha, defendendo sua pátria — ou, melhor dizendo, atacando o espaço vital de outros povos —, mas também em câmaras de gás às quais foram conduzidos depois de terem sido arrancados da vida civil?
E esses assassinatos foram cometidos sem qualquer base jurídica ou legal e, obviamente, sem considerar os mandamentos condicionadores da vida que dizem: “Não matarás”, “Perdoe o seu próximo”, “Coloque a espada em sua bainha, porque quem com a espada fere, com a espada será ferido”.
Não é o cumprimento da lei precisamente este grande mandamento: “Ame a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”? Onde está a crença em um Deus cheio de amor e a prática de uma cultura cristã nessa existência de juízo final, na qual multidões de seres humanos — crianças e adultos, velhos e jovens — foram consumidos até a morte nos terríveis campos de concentração, ou campos de morte, que lançaram sombras de consciência diabólica sobre toda a Terra?
Os seres humanos se distanciam dos dogmas religiosos
Por que os ideais religiosos, que foram pregados aos seres humanos durante milênios, não puderam impedir essas manifestações diabólicas, essa agonia de morte, essa invalidez, essa enfermidade, essa miséria e essa amoralidade que delas decorrem? Não se torna evidente, com isso, que os ideais religiosos ou dogmas herdados do passado, por mais divinos que tenham sido, não conseguiram libertar a humanidade dessa época espantosa de juízo final?
Não vemos, por acaso, que esses ideais se tornaram pequenos para os seres humanos, quase da mesma forma que roupas e sapatos se tornam pequenos para as crianças? Por causa disso, é natural que se perca a crença nesses ideais. Por acaso milhões de seres humanos não se tornaram materialistas e prescindem de Deus? O fato de que esse número esteja aumentando e de que, durante os cultos religiosos, existam cada vez mais espaços vazios nas igrejas ou casas de Deus não é algo inegável?
Consequentemente, não é também inegável o fato de que as mais altas verdades cósmicas de importância vital, isto é, os preceitos religiosos ou dogmas, se transformaram em algo misterioso, a ponto de se considerar que se ocupar disso ou crer nisso é indigno de pessoas inteligentes? Os seres humanos estão equivocados, ou são os ideais religiosos que não estão certos?
Existem pessoas que não exigem uma argumentação lógica para aceitar os ideais religiosos
Em sentido amplo, nem os seres humanos nem os ideais religiosos estão equivocados. Os ideais religiosos se adaptam de maneira perfeita ao estado evolutivo dos seres humanos aos quais foram dados. E, para esses seres humanos, são o pilar fundamental de suas vidas.
Mas uma grande parte da humanidade evoluiu, distanciou-se desses estados e, em maior ou menor grau, avançou para estados superiores. Esses seres humanos vivem em uma esfera mental totalmente diferente da esfera para a qual esses dogmas ou resultados religiosos eram adequados, e aos quais os seres humanos anteriormente citados podiam entregar-se totalmente, em virtude de seu instinto ainda forte.
A inteligência deles ainda não estava suficientemente desenvolvida para exigir que os citados ideais religiosos ou dogmas lhes fossem confirmados ou explicados de modo intelectual. A esses seres humanos bastava apenas o fato de que esses dogmas fossem transmitidos por autoridades.
As pessoas para as quais os símbolos e a obra principal foram criados
Mas hoje tudo é muito diferente. Uma grande parte da humanidade perdeu sua capacidade de crer, porque seu instinto se degenerou em maior ou menor grau devido ao desenvolvimento da inteligência. Com esse desenvolvimento, os seres humanos adquiriram a capacidade de analisar as coisas por si mesmos, de investigar e de observar.
À medida que esse desenvolvimento aumenta, exigem uma argumentação lógica ou uma base científica para cada ideia ou conceito mental que deve ser aceito como verdade. Mas seria completamente absurdo culpá-los pelo estado em que se encontram.
É impossível para esses seres humanos simplesmente crer nos ideais ou dogmas religiosos, porque estes se manifestam apenas como simples resultados ou afirmações sem uma base lógica ou científica. É por isso que o presente livro dos símbolos* e a obra principal que eles complementam foram criados.
Este livro foi escrito para ajudar os seres humanos para os quais é impossível simplesmente crer em suposições ou afirmações sem uma base intelectual ou lógica, mas que buscam com a razão e com todo o coração essa justificação da situação de juízo final que começam a pressentir, para além do primitivismo e da falta de reflexão da vida cotidiana.
Para essas pessoas, abre-se aqui o caminho do estudo cósmico, que as levará a compreender que a própria vida justifica totalmente essa escuridão no mundo como um degrau na criação da eterna manutenção do tom fundamental do universo: o amor.
* Nota editorial: A Imagem Eterna do Universo (Det Evige Verdensbillede, no original dinamarquês) reúne os símbolos de Martinus e suas explicações, complementando Livets Bog (O Livro da Vida). Para consultar os volumes e as edições disponíveis, veja a apresentação oficial dos livros e o catálogo de livros em português do Instituto Martinus.